Foi rápido assim, questão de milésimos de segundos, sem muita ênfase e pretensão que me peguei solicitando aos anjinhos mais um grande encontro transcendental – visto que já tinha me divertido com a história da Dona Jaira e do Sr. Alberto no mundo subterrâneo (vide texto já publicado)...
Bom, fui eu até o centro da cidade, gastei horas por lá, comi abacaxi no saquinho sobre o gelo, agradeci aquela muvuca que eu só encontrei, por enquanto, nessa terra aqui e voltei, fisicamente exausta, no primeiro vagão sentadinha de costas pra direção que ia o metrô de volta pra casa.
Passaram-se algumas estações, eu lendo minha revista, de pernas cruzadas, minha bolsa simplesmente grudada no meu corpo e um metrô que perambulava tranqüilo de gente...
Eu lá quietinha, concentradinha na matéria que eu lia e totalmente esquecida do que eu havia pedido há +-6 horas atrás... Na minha frente um senhourzinho JAPINHA, magrinho, careca, de óclinhos quadrado ½ fundo de garrafa, calça de tergal cinza, de sorriso estampado no rosto e uma tranqüilidade zen oriental:
- “Isso é pra você, minha jovem.” - me estendeu a sua mão e me presenteou com um Origami em formato de um pássaro.

Do olhar na matéria direcionei ao seu e, num japonês “muito obrigado” básico, respondi:
- “Domo Arigatô.” – e curvei sutilmente minha cabeça para complementar tal agradecimento.
Ali eu já estava totalmente ciente de que tudo aquilo era o reflexo daquele despretensioso pedido feito na escadaria inicial da estação do metrô... Já estava totalmente agradecida pela conexão das almas até então “desconhecidas”... E totalmente com pressa de dizer para aquele Japinha que eu também era uma ½ JAPINHA!
- “Vc sabe como chama esse pássaro em japonês?”, ele me perguntou.
- “Não sei não.”
- “Tsuru.”
- “Pode repetir para eu gravar bem?” (sou visual e preparei meu bloquinho mental e meu dedo indicador)
- “Tsuru.”
- “T-su-ru... Arigatô. Muito gentil. Minha mãe também é Japinha. Eu não falo japonês.”
- “Mãe japonês?”
- “Sim, Satiko San”
- “E o Sr. como se chama?”
Ele disse o nome só que eu não pedi para repetir dessa vez... me esqueci... Só que para mim ele é o Japinha Tsuru que me presenteou. E se não bastasse um, tirou um outro Origami Tsuru da sua carteira, branquinho, diferente daquele laranja.
Agradecidos e merecidos.
A porta do vagão mais uma vez se abriu, o Japinha se foi e eu fiquei com os 2 passarinhos, serena e com a certeza de PRESTAR MUITA ATENÇÃO PARA O QUE SE PEDE PRA VIDA: POIS A VIDA DÁ!
Né?







Instantaneamente me comunico com esse mundão sem fronteiras...





Ontem desci a Rua Augusta a menos 120 por hora... pena, pq tava chovendo, a pista estava escorregadia e já tava escuro.









