
Semana que vem (começo de Maio) completa 1 ano desde o dia que arrumei meu mochilão, reduzi meu shampoo a 75ml, minhas calcinhas a 3 ceroulas beges, minha toalha de banho pro tamanho de uma de rosto, canivete, talco, metros de micropore (e o meu curvex, lógico!) e fui pro meu Caminho de Santiago de Compostela.
Meus agradecimentos e parabéns pro Santo que está lá abençoando cada um daqueles peregrinos que, pelas terras Espanholas, sapateiam rumo à igrejinha marco final (ou inicial) de uma grande experiência!
Experiência que intitulo MA-RA-VI-LHO-SA e mesmo que eu a tenha considerado infelizzz em muitos aspectos, dura em outros, tornou minha vida muito mais leve e serviu como uma nova injeção de confiança pra muitas das pedras que estão por aparecer no meu caminho...
Foi isso: 34 dias caminhando. E me lembro bem que nos 15 primeiros dias eu quis desistir (!!!) e nos outros 19 também!!!
E, assim, com essa vontade descarada de “pegar carona”, “subir no bumba”, “ir de táxi”, “pra que todo esse esforço sua louca?”, “eu vou sim resistir a essas tentações!” que conclui, step by step tamanho 38 (algumas vezes 39), a minha misteriosa peregrinação...
Mas sabe o que é acordar todas as manhãs, daqueles primeiros dias, muito cedo, com muito sono, depois de ter dormido com um bando de gente roncando (e peidando) e sair andando com o corpo in-tei-ri-nho doendo e pé florido de bolhas??
“P.Q.P.” definiria...
Sabe o q é caminhar entre campos verdinhos, mata brilhando de orvalho, por estradinhas milimetricamente “construídas” por Alguém bem especial, escutar o passarinho cuco-cuco dando o ar da graça e eu com meu corpo to-di-nho dolorido, gritando de dor??
“Passarinho, pelo amor, fique quietinho!” definiria... (hehe)
...doia tudo! Era o peso mental e o corporal + o plus do mochilão que deveria ser 10% dos meus kgs...
Só que, devagarinho, eu fui vencendo a densidade desse corpo aqui que, diga-se de passagem, estava muito habituado a praticar 1 único esporte até então: o “levantamento de garfo”.
Devagarinho, dia após dia, com o ritual de cuidar do pé, fazer alongamento, passar pomada na tendinite, de ronco já virando música clássica, que a dor foi passando e que comecei a contemplar a beleza de todos os lugares, o canto de todos os pássaros, as cores de todas as flores, o sol, as subidas, as íngremes descidas e eu mesma.
Assim, eu concluía os ou 16, 24 ou os 30km que cada dia me determinava, sem saber se encontraria água quente ou não me esperando no albergue (olha a vontade de desisitir!), com preguiça de lavar todos os dias minhas roupas na mão (vontade grande de desistir) e ter que andar de novo e de novo...
Só sei dizer que aprendi muito. Conheci pessoas maravilhosas (e outras q roncavam d+). Fiz amizades sinceras e eternas (umas q roncam). Chegou uma hora que não era mais meu corpo que me levava e sim eu que levava meu corpo... A liberdade da minha total falta de identidade. Os vários copos de vinho e toda a culinária Espanhola desfrutada. A chuva, o frio, a lama. O pôr-do-sol em Finisterre. Nossa! Faria tudo de novo simmmm...
Terminantemente um caminho misterioso e abençoado que só o Santo explicaria...
Então juntos, meu cajado, meu mochilão, minha cabaça e eu (e o Santo, Japa!) caminhamos sem pressa. Sabíamos que o importante não era a chegada e sim adquirir o aprendizado necessário para a minha evolução e o desfrutar de todo o caminho.
Respirando fundo e pisando leve,
un Buon Camino!
Besitos guapa Japa